Luandro

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Futuro sem sonhos


 
Não me atrevo a definir a palavra violência, pois vai muito além de seu significado etimológico. Na verdade, há várias conotações e, sem incorrer em lugar-comum, mas, talvez, já o fazendo: ela tem tantas faces... É cruel! Está enraizada por todos os cantos! A que foi reduzida a nossa infância? Essa pergunta eu faço todo dia a mim mesma. E continuo porque me recuso a desistir. Eu olho seus rostos ( no meu caso já adolescentes) e, neles, a aridez; o vento desértico da falta de laços.

Que não se fale só da violência urbana! A vida que nasce - todos sabem – nem sempre reflete mais um gesto de amor. É uma triste tendência explosiva do prazer pelo prazer. Não há mais família. Há traços esgarçados que, de várias formas, ainda encontramos. Não há cuidado na caminhada orientando os pequeninos seres que crescem, iluminando-os com a segurança do amor. Parece que não intressa a grandeza divina que sopra em cada criança. Estamos batendo de frente com o futuro, ou melhor, ele já está fugindo. Já está ultrapassando limites. Faltam palavras. Faltam abraços. Faltam limites para coibir essa doença que tal qual erva daninha se alastra em cidades em situações caóticas, nas quais, alguns jovens resistem e são resgatados dessas instituições corrompidas, sem freios, alienados, independente de classe social, sexo ou idade. A violência arrebata tenras vidas que não sabem sonhar, sempre debruçadas, senão mergulhadas na lama que faz sangrar os corações conscientes.

Desilusão que não se passa a limpo. A maior dor que não se enxerga. Crianças não-crianças, sombras viventes da obscuridade do pensamento e da iniquidade. Pureza deturpada, em brilho e fulgor, que nunca cumprirá sua missão de cidadania.

Por que, uma vez mais abordo este tema? Porque me recuso a aceitar o diálogo que ouvi. Meninos e meninas, com a faixa etária de não mais de 8 ou 9 anos, disputavam,entre si, quem menos era “apanhado” pelas viaturas da polícia, na Zona Sul do Rio, embora os ninhos que deviam acalentá-las sejam tão distantes... Com sorrisos largos, vangloriavam-se de se apropriarem do alheio, mostrando, a canto de uma esquina qualquer o resultado de suas “vitórias.”

Dê-me, meu Deus, força para continuar. Porém, não posso conviver com tão impiedoso aspecto social de um futuro desabitado de sonhos e valores.
 
Luandro
Enviado por Luandro em 13/07/2012
Alterado em 13/07/2012


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